Literatura Jesuítica – O Que Foi, Características, Autores e Obras

Literatura Jesuística

A Literatura Jesuítica, também chamada de Literatura de Catequese, teve um importante papel nos períodos que seguiram o descobrimento do Brasil. Devido à sua importância histórica, essa literatura consiste em um dos conteúdos mais comuns em provas de todo Brasil (nas escolas, vestibulares, concursos etc.). Para saber detalhes sobre essa literatura, confira nosso artigo.

O que a foi a Literatura Jesuítica?

A Literatura Jesuítica, também chamada de Literatura de Catequese, é uma categoria de textos que foram produzidos durante o período Quinhentista, movimento literário que começou em 1550 e terminou em 1601. A literatura dos jesuítas, como o próprio termo sugere, é marcada pelo forte teor religioso e é considerada uma das primeiras manifestações da Literatura Brasileira.

A Literatura Jesuítica foi elaborada exclusivamente pelos jesuítas que chegaram ao Brasil com a missão de evangelizar os índios de acordo com os preceitos do Cristianismo. No início, o principal objetivo da Literatura de Catequese era produzir textos informativos sobre a nova terra (Brasil) que seriam enviados aos nobres de Portugal.



Com o passar do tempo, os textos elaborados pelos jesuítas passaram a ter um cunho educacional e pedagógico, posto que os jesuítas foram responsáveis pela fundação dos primeiros colégios no Brasil.

Características da Literatura Jesuítica

Com relação às características da Literatura Jesuítica, as que mais se destacam são:

  • Linguagem de fácil compreensão;
  • Elaboração de textos com caráter descritivo e informativo;
  • Abordagem predominante de temas religiosos e cotidianos com base na fundamentação religiosa do Cristianismo;
  • Literatura produzida com caráter religioso e documental;
  • Crônicas de viagens;
  • Crônicas históricas;
  • Poesia de fácil compreensão;
  • Teatro pedagógico de construções simples (com base nos textos extraídos da Bíblia);
  • Objetivo de pregar um senso moral aos indígenas.

Principais nomes da Literatura Jesuítica

No que se refere aos nomes de maior relevância na Literatura Jesuítica, eles são:

1 – Padre José de Anchieta

O Padre José de Anchieta, que nasceu em 1534 e faleceu em 1597 é considerado o precursor do teatro nas terras brasileiras, sendo uma figura de grande relevância da Literatura Jesuítica.  Anchieta escreveu poemas, sermões, cartas e peças teatrais sobre o Brasil. Algumas de suas principais obras são:

  • Auto da festa de São Lourenço (peça de teatro);
  • Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil;
  • Poema à Virgem;
  • A Cartilha dos Nativos (Gramática Tupi-Guarani).

2 – Padre Manuel da Nóbrega

O Padre Manuel da Nóbrega, um missionário jesuíta português chegou às terras brasileiras em 1549. Suas obras de maior relevância são:

  • Informação das Coisas da Terra e Necessidade que há para Bem Proceder Nela;
  • Diálogo Sobre a Conversão do Gentio;
  • Cartas do Brasil;
  • Caso de Consciência Sobre a Liberdade dos Índios;
  • Tratado Contra a Antropofagia e contra os Cristãos Seculares e Eclesiásticos que a Fomentam e a Consentem.

3 – Fernão Cardim

Outro dos autores da Literatura Jesuítica de maior destaque é Fernão Cardim, que nasceu em 1549 e faleceu em 1625. Ele foi um jesuíta português e membro da Companhia de Jesus, sendo enviado ao Brasil no ano de 1583 com o objetivo principal de evangelizar os indígenas.



As principais obras desse autor são:

  • Narrativa Epistolar de Uma Viagem e Missão Jesuítica;
  • Do Clima e da Terra do Brasil;
  • Do Princípio e Origem dos Índios do Brasil.

Textos dos autores da Literatura Jesuítica

Literatura Jesuística

“Brasil e governo

O Brasil que sem justiça,



Andava mui cego e torto,

vós o metereis no porto

se lançar de si a cobiça

que de vivo o torna morto.”



(Pe. José de Anchieta)

“Sim! Quando o tempo entre os dedos
Quebra um séc’lo, uma nação …
Encontra nomes tão grandes.
Que não lhe cabem na mão!…
Heróis! Como o cedro augusto
Campeia rijo e vetusto
Dos séc’los ao perpassar,
Vós sois os cedros da História,
A cuja sombra de glória
Vai-se o Brasil abrigar. “

(Pe. Manuel da Nóbrega)

“Mandioca – O mantimento ordinário desta terra que serve de pão se chama mandioca, e são umas raízes como de cenouras, ainda que mais grossas e compridas. Estas deitam umas varas, ou ramos, e crescem até altura de quinze palmos. […] tirado o homem, todo o animal se perde por ela crua, e a todos engorda, e cria grandemente, […]. Destas raízes espremidas e raladas se faz farinha que se come; […]”.

(Fernão Cardim)

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