Elegia – O Que é, Características, Como Surgiu e Exemplos

elegia

A Elegia consiste em uma poesia melancólica, triste ou complacente, sendo empregada principalmente em textos de lamento de morte, em letras de músicas para funerais e em demais situações que acarretem a sensação de intensa tristeza, pesar e saudosismo. Grandes poetas latinos e gregos também utilizavam a Elegia como forma de abordar temas agradáveis ou que requeiram reflexões aprofundadas.

Características da Elegia

A palavra Elegia tem suas origens no grego e é entendida como canto melancólico ou triste. Nesse tipo de literatura, o poeta geralmente manifesta uma ideia em forma de lamento e essa lamentação costuma estar associada à morte ou a grandes perdas, ao desamor, ao passar do tempo etc. Devido a essa característica, os poemas em Elegia são empregados para fazer homenagens a uma pessoa falecida, sendo que tais homenagens podem ser realizadas em formato de texto ou de canções.

Como surgiu a Elegia?

A Elegia surgiu na Grécia Antiga, sendo que a civilização romana herdou essa manifestação poética. Isso fez com que as elegias fossem utilizadas em momentos de alta relevância histórica, tais como Idade Média e Renascimento). Epigramas e epitáfios consistem em um tipo de Elegia, já que são adotados pequenos textos ou frases em homenagem a um ente querido falecido.



Exemplos de Elegia

Para ver na prática como é uma Elegia, a profundidade dos textos e demais características apontadas, veja nossos exemplos com as elegias mais conhecidas na literatura brasileira e universal.

Exemplo 1 – Elegia 1938 – Carlos Drummond de Andrade

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.



Exemplo 2 – Elegia de Fagundes Varella

Cântico do calvário

À memória de meu Filho
morto a 11 de dezembro de 1863

Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.

Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, a inspiração, a pátria,
O porvir de teu pai! – Ah! no entanto,
Pomba, – varou-te a flecha do destino!



Astro, – engoliu-te o temporal do norte!
Teto, – caíste! – Crença, já não vives!
Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,
Legado acerbo da ventura extinta,
Dúbios archotes que a tremer clareiam
A lousa fria de um sonhar que é morto!

Correi! um dia vos verei mais belas
Que os diamantes de Ofir e de Golconda
Fulgurar na coroa de martírios
Que me circunda a fronte cismadora!
São mortos para mim da noite os fachos,
Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,
E à vossa luz caminharei nos ermos!

Estrelas do sofrer, gotas de mágoa,
Brando orvalho do céu! Sede benditas!
Oh! filho de minh’alma! Última rosa
Que neste solo ingrato vicejava!
Minha esperança amargamente doce!

(fragmento)



Dicas dos melhores livros sobre Elegia

  • Elegias de Duíno – Rainer Maria Rilke
  • Elegias de Sexto Propércio – Guilherme Gontijo Flores
  • Elegia Para Agosto – Roberto Lorembrant
  • Elegia ao Novo Mundo e Outros Poemas – Narlan Matos
  • Elegia – Pablo Neruda
  • 5 Elegias – Vinícius de Moraes
  • Canções e Elegias – Luís de Camões
  • Livro de Soror Saudade – Florbela Espanca

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