Arcadismo – O Que foi, Características, Autores e Textos

Arcadismo

O Arcadismo, também chamado de Setecentismo ou Neoclassicismo, foi um importante movimento literário ocorrido por volta do século 18 na Europa e até hoje estudado nas escolas e universidades. Para saber todos os detalhes desse movimento, confira nosso artigo.

O que foi o Arcadismo na Europa e no Brasil?

O Arcadismo, também chamado de setecentismo, foi uma importante forma de estética literária que teve suas origens no Iluminismo (uma corrente filosófica) que passou a ser difundida na Europa durante o século 18. O Arcadismo ocorreu mais especificamente entre os anos de 1756 e 1825. Essa estética literária foi observada principalmente na França, Itália, Espanha e Portugal e exatamente por isso, também chegou ao Brasil.

O Arcadismo no Brasil

Devido à influência portuguesa, o Arcadismo chegou ao Brasil por volta do ano de 1768 a partir da “Arcádia Ultramarina”, na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto) em Minas Gerais e a publicação de “Obras Poéticas”, do autor Cláudio Manuel da Costa.



O Arcadismo teve seu marco inicial em Vila Rica devido à importância econômica da região, já que nesse período foi descoberto o ouro no estado de Minas Gerais e a região sudeste transformou-se numa importante referência intelectual da época.

Nessa região dominada pelos portugueses, as ideias iluministas encontraram repercussão nos anseios e sentimentos nativistas, fazendo com que as primeiras obras fossem publicadas em terras brasileiras. Inclusive, muitos dos intelectuais dessa época são estudados até hoje devido à importância dos escritos com estética arcadista.

Características do Arcadismo

Para conhecermos melhor essa estética literária que recebeu o nome de Arcadismo precisamos ver as principais características dessa literatura e do período no qual ela ocorreu.

  • Ampla exaltação da natureza e tudo que lhe diz respeito;
  • Valorização da vida no campo (bucolismo);
  • Críticas à vida nos centros urbanos;
  • Forte idealização da pessoa amada;
  • Objetividade;
  • Eliminação do que é inútil;
  • Enaltecimento dos lugares amenos;
  • Linguagem de fácil compreensão;
  • Frequente uso de pseudônimos;
  • Pastoralismo;
  • Manifesta críticas da burguesia aos abusos cometidos pela nobreza e pelo clero;
  • Oposição aos exageros e rebuscamentos do Barroco;
  • Abordagem de temas simples e comuns aos seres humanos (solidão, amor, casamento, morte etc.);
  • Valorização das coisas cotidianas, feitas a partir da razão;
  • Crença de que a arte é uma cópia da natureza;
  • Utilização de sonetos com versos decassílabos, rima optativa e influência da poesia épica;
  • Conceito de carpe diem (aproveitar o momento presente).

Além das características do Arcadismo mencionadas acima, aqui no Brasil destacam-se:

  • Introdução de paisagens tropicais;
  • Valorização da história colonial;
  • Início do nacionalismo;
  • Lutas pela independência e a inserção da colônia no centro das atenções.

Todas essas características demonstram que, além da importância literária, o Arcadismo traz grandes contribuições para a compreensão de fatos que marcaram a história da Europa e do Brasil.

Principais autores do Arcadismo

Com relação aos autores do Arcadismo, destacamos os principais nomes de escritores e poetas portugueses e brasileiros.



Autores portugueses

  • António Dinis da Cruz e Silva
  • Manuel Maria Barbosa du Bocage
  • Correia Garção
  • Francisco José Freire (ou Cândido Lusitano);
  • Marquesa de Alorna

Autores brasileiros

  • Santa Rita Durão (1722 – 1784), autor do poema épico Caramuru
  • Cláudio Manuel da Costa (1729 – 1789), autor de Obras Poéticas e Villa Rica
  • Basílio da Gama (1741-1795), autor do poema épico O Uruguai
  • Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), autor de Cartas Chilenas e Marília de Dirceu (uma das obras mais conhecidas na Literatura Brasileira)
  • Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1793)
  • Silva Alvarenga (1749-1814)

Textos de autores brasileiros do Arcadismo

Arcadismo

“Destes penhascos fez a natureza o berço em que nasci: oh, quem cuidaria que entre penhas tão duras se criara uma alma terna, um peito sem dureza.” (Cláudio Manuel da Costa)

“Amor tirano, onde há resistência mais se apura.” (Cláudio Manuel da Costa)

“Aproveite-se o tempo, antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça.” (Tomás Antônio Gonzaga)



“Consiste o ser herói em viver justo; e tanto pode ser herói o pobre, como o maior augusto.” (Tomás Antônio Gonzaga)

“Chora o rio entre arvoredos,

Nos penedos recostados:

Chora o prado, chora o monte,



Chora a fonte, a praia, o mar.”

(Silva Alvarenga)

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Imagens: ricardomees.blogspot.com / sabseg.com