Sinestesia – Figura de Linguagem – O que é? Exemplo

sinestesia

 

Sinestesia é uma figura de linguagem muito presente na escrita e faz parte dos diálogos. Aprenda a identificá-la. Conheça-a como fenômeno biológico sensorial.

 

Sinestesia e sua origem etimológica

Sinestesia é um vocábulo de origem grega. Consiste na junção dos termos: syn que em grego quer dizer união + esthesia – que significa sensação. Ela vem da palavra grega synaísthesis, cujo significado é “sentir junto” ou “sentir ao mesmo tempo”.

Dentro da língua portuguesa é classificada como uma figura de linguagem. Suas características a colocam no grupo das figuras de palavras ou Tropos. Para melhor entendimento, vale esclarecer que as figuras de linguagem são categorizadas por tipos diversos.

Observe o quadro abaixo e entenda.

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Pode-se observar que são 4 os tipos de Figuras de Linguagem e que Sinestesia pertence ao grupo das Figuras de Palavras ou Tropos, assim como a Metáfora, Metonímia, Catacrese, entre outras.

 

Sinestesia: Figura de Linguagem- Figura de Palavras ou Tropos

Por ser uma figura de palavra, a sinestesia consiste em recurso semântico, capaz de tornar o texto mais expressivo. Ela ocorre quando as sensações e sentidos se misturam. Isto quer dizer que podem estar reunidas em um mesmo contexto diversos sentidos.

Bom exemplo encontramos nestes versos de Mário de Andrade:

“…chuvinha de água viva esperneando luz … com gosto de mato, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema…”

Aqui o poeta miscigena os sentidos, reunindo-os em um mesmo texto. Podemos perceber sensações visuais (esperneando luz), gustativas (gosto de mato) e olfativas (meio baunilha, meio alfazema).

Outros exemplos:

  • Já sentia o cheiro doce da liberdade. (Aqui se misturam os termos: (doce= paladar; cheiro= olfato.)
  • Dirigiu-me uma palavra amarga e fria. (Amarga refere-se ao gosto; fria relaciona-se com o tato.)
  • Ele deixou-se envolver pelo cheiro doce do perfume. (Neste caso as sensações se misturam para poetizar o texto. Nota-se que a sensação olfativa está relacionada ao paladar. (Cheiro e doce)
  • Ouça a melodiosa e macia voz, que canta louvores ao Senhor.
  • Aqui estão bem definidos os sentidos da audição(ouça); tato (macia).
  • Desfilaram pela passarela com roupas floridas, em cores quentes. (Os sentidos da visão e do tato estão presentes)

Quem usa Sinestesia?

A Sinestesia é usada por poetas, escritores, redatores, compositores e jornalistas, mas não são exclusividade destes profissionais. Ela é também usada em nosso cotidiano, enquanto conversamos ou escrevemos algum texto.

Podemos dizer que o poder sinestésico e mágico contido nesta figura de palavra é comum, e muitas vezes, o usamos sem saber. Mas existe um outro aspecto que é mais raro e não conhecido por muitas pessoas.

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 O outro lado da Sinestesia – Além do conceito linguístico

Aqui estudamos a sinestesia como figura de linguagem, que nos ajuda a construir textos mais sugestivos e mais ricos de significado. Mas, não podemos deixar de citar um outro aspecto que ela apresenta.

O termo é usado também no âmbito biológico e sensorial. Trata-se de uma característica que algumas pessoas possuem. Cerca de 4% da população mundial possui sinestesia.

Quer dizer que estas pessoas são dotadas de uma característica especial. Elas são mais sensitivas no que se refere aos sentidos.

Algumas relatam poder sentir o cheiro das cores. Outras percebem as letras, símbolos e números em diferentes matizes. Há ainda os que percebem cheiros nos sons.

A percepção é explicada pela Ciência. É resultado de uma espécie de cruzamento entre os sentidos. O que ocorre é que uma sensação é capaz de estimular uma outra. Não é nenhuma doença ou desequilíbrio, trata-se de uma característica genética herdada dos pais.

Conclusão

Desta forma, podemos notar que esta figura de linguagem é caracterizada pela união de palavras que nos remetem aos sentidos. Sabendo disto, fica muito fácil identificar esta figura de palavra, pois basta observar se o texto reúne expressões que evidenciam a visão, audição, tato, paladar, olfato.