Elipse – Figura de Linguagem – Exemplos e O que é?

elipse

 

A Elipse é uma figura de linguagem que acontece quando há a omissão de um termo que pode ser subentendido no texto. Neste caso, ocorre se uma palavra ou expressão for omitida e mesmo assim puder ser percebida como parte da oração. Vale acrescentar que esta palavra omitida, Não foi anteriormente citada e não torna a mensagem incompreensível.

Confira alguns exemplos de Elipse:

 

Exemplos de Elipse

  • “Na sala de aula, apenas cinco ou seis alunos.”

(Neste caso foi omitido o verbo, mas ele está subentendido no texto. Compreende-se que “havia” na sala de aula apenas cinco ou seis alunos. Omissão do verbo haver)

  • “Peguei de volta meu casaco.”

(Foi omitido o pronome “Eu”, mas a frase é perfeitamente compreensível)

  • “A cidade dormia, ninguém na rua.”

(Aqui faltou o verbo “estava” que deveria estar escrito após o pronome indefinido ninguém. Apesar desta ausência entende-se inteiramente a frase.)

  • “A vida talvez fosse boa, não houvesse tanta tristeza.”

(Observe a ausência da conjunção “se”. Note que apesar disto, compreende-se a mensagem).

  • “Sobre a cama, vestidos, casacos e meias.”

Omissão do verbo haver. Sem Elipse seria: Sobre a cama, havia vestidos, casacos e meias.

 

Elipse – Figura de Construção e Sintaxe: Entenda por quê

Com estes exemplos, fica fácil entender esta figura de construção e sintaxe. Antes, porém de seguirmos com maiores explicações vamos fazer uma pequena pausa para perceber porque esta figura de Linguagem é classificada como “De Construção e Sintaxe”.

Os recursos estilísticos conhecidos como Figuras de Construção e Linguagem guardam certa particularidade que nos ajuda a distingui-los. Indicam sempre alguma modificação na oração.

Têm por objetivo dar maior ênfase à mensagem. Desta forma, caracterizam-se por evidenciarem uma omissão, repetição, ou inversão, de termos ou expressão. Entre as mais comumente usadas estão o Hipérbato e o Pleonasmo, além da Elipse.

Sabemos que a estrutura convencional de uma oração aponta a seguinte sequência:

Sujeito – predicado –  complemento.

O rompimento desta forma direta e mais clássica de compor uma oração devido à omissão de um destes elementos, tipifica uma Elipse. E quando isso acontece, há quase que uma reconstrução da sentença.

Vejamos outros exemplos de Elipse.

Exemplos de Elipse na literatura e na Música

Citação Autor Termo omitido
Não sou alegre, nem triste… Cecília Meirelles Omissão do pronome “Eu”
No mar, tanta tormenta … Luis de Camões Omissão do verbo “haver”
Entraram na casa, as armas na mão… Jorge Amado Ausência da

 Preposição “com”

Neste carnaval não quero mais saber… Grupo Fundo de Quintal Aqui quem falta é o

  Pronome “eu”

 

Exemplos de Elipse no cotidiano

“Preferi não parar, estava com muita pressa.” – Faltou o pronome “eu”

“Não a vimos, por isto viemos embora.”  – Omissão do pronome “nós”

“A menina chorava, os olhos inchados e lágrimas a escorrer.”   – Omissão do ver

“Se me obedeceres, terás recompensa.” – O pronome “tu” foi omitido.

Elipse ou Zeugma

Não é apenas a Elipse que possui a característica de omitir. Há uma outra figura de Construção e Sintaxe, que possui esta peculiaridade. Trata-se da figura de Linguagem denominada Zeugma. Apesar de possuírem a mesma característica, há diferença entre elas.

 

Elipse – É a figura da omissão de um termo que não foi citado na oração

Exemplo:

“Flores, nunca vi tão belas!”

Observe a ausência do pronome” eu” que está apenas implícito na frase.

Zeugma – É a omissão de um elemento que já está expresso na oração. Alguns gramáticos a consideram como uma forma de Elipse

  • “Eu adoro flores, quero plantá-las.”

Observe que aqui também está omitido o pronome “eu”, mas, este já está citado.

Veja outros exemplos de Zeugma.

  • “Márcia é professora de Geografia, Joana de Inglês.”

Observe a omissão do verbo ser, que já foi colocado no texto.

  • “Eu gosto de Matemática, você de Português.”

Omissão do verbo “gostar”.

  • “Vamos brincar juntos, você joga para mim e eu para você.”

Omissão do verbo jogar, que já foi citado.  “Você joga para mim e eu “jogo” para você.

Elipse é, portanto indicada como figura de omissão, assim como Zeugma. Porém, é preciso alertar para a diferença ente elas.