Apóstrofe – Figura de Linguagem – Exemplos e O que é?

apostrofe

Apóstrofe é a figura do chamamento, da invocação. É a forma de exteriorizar a voz que chama, que grita, que fala, enfatizando seu chamado. Dentre as figuras de Linguagem é uma das mais fáceis de se identificar, pois, não deixa dúvidas. Revela-se por meio do vocativo.

Para entendê-la é bom saber o que é vocativo, já que esta é sua função quando analisada sintaticamente em uma oração.

Vocativo – termo que na oração é usado para chamar o interlocutor, que pode ser real ou imaginário. Pode estar no começo, no meio ou até mesmo no final da sentença. Ele não tem nenhuma relação com o sujeito ou predicado.  Direciona-se quase sempre à uma segunda pessoa.

Para muitos gramáticos é a expressão da invocação, mas também da interpelação, já que em muitos escritos se revela como uma indagação, que exige de alguém ou de algo, uma resposta.

Se revela, em muitos casos como se fosse um clamor, um apelo que espera retorno. Apóstrofe, não satiriza como a Ironia, nem exagera como a Hipérbole. Apenas chama, invoca, interpela.

 

Apóstrofe: Invocação, chamamento,  Interpelação.

Observe o quanto de apelo e indagação, há no poema Vozes d’África, de Castro Alves, que evoca Deus em socorro da África, terra que sofre a invasão de mercadores de escravos.

 

  • Vozes d’África

“…Ó Deus! Onde estás que não respondes?

Em que mundo, em que estrela, Tu t’escondes?

[…]Há dois mil anos te mandei meu grito,

[…]

…Onde estás, Senhor Deus?”

(Trecho retirado do site: http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves)

O poeta clama, apela, grita por Deus, implora que Ele venha em socorro da África e de seus filhos escravizados. No vocativo “Ó Deus” – temos Apóstrofe.

Em outro trecho poético, agora uma música, temos também caracterizada esta figura de Linguagem.

 

Exemplo: Luiz Gonzaga

Vejam alguns versos de “Súplica Cearense” de Luiz Gonzaga.

“Oh! Deus, Perdoe este pobre coitado

Que de joelhos rezou um bocado

[…]

Oh! Deus será que o senhor se zangou

…o Sol se arretirou

[…]

Senhor, Eu pedi para o sol se esconder um tiquinho…”

(Retirado de www.vagalume.com.br/luiz-gonzaga/suplica-cearense)

 

Aí temos Apóstrofe no apelo, chamamento ou interpelação das expressões: “Oh! Deus, … e Senhor, …”

 

Outros Exemplos de Apóstrofe na música:

Observe Apóstrofe nos versos destacados.

  • Pacato Cidadão

Skank

“Ô pacato cidadão, eu te chamei a atenção

Não foi à toa, não…”

(www.vagalume.com.br/skank/pacato-cidadao)

 

  • Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós. – GRES Imperatriz

Leopoldinense – Samba Enredo de 1989

 

“Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós

E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.”

 

Apóstrofe na Poesia

No poema de Fernando pessoa, identificamos nos primeiros versos:

“Ó mar salgado, quanto de teu sal

São lágrimas de Portugal!

…noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!”

…Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.”

(http://pensador.uol.com.br/frase/)

 

 

Outro exemplo em Poesia:

Em “Navio Negreiro” Castro Alves usa em vários versos a Apóstrofe.

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura …

[…]

Ó mar, por que não apagas…

 

E em outro trecho:

“Albatroz! Albatroz! Águia do oceano,

Tu que dormes […]

Albatroz! Albatroz! Dá-me […]asas.

(http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves01.html)

 

Outros conceitos:

Para finalizar e concretizar o entendimento sobre Apóstrofe podemos dizer que esta é uma estratégia linguística que dá ênfase ao chamado, evocando, interpelando pessoas ou coisas reais, imaginárias. Estando elas ausentes ou presentes.

Um dos objetivos da apóstrofe é estabelecer uma proximidade entre a fala e a escrita, favorecendo o entendimento de quem lê. Está presente na fala do dia a dia, na linguagem poética, na música, nos discursos, nas preces religiosas. Pode ser sagrada ou profana.

 

Exemplos de Apóstrofe mais usados:

  • Pai Nosso, que estás no céu, Venha a nós, o Vosso Reino…
  • Ó Santo Antônio, fiel protetor,  Rogai por nós…
  • Ó menino, desce daí!
  • Ó Menina, não chores mais.
  • Joana, venha cá que fazes aí parada?
  • Filho, venha! Estou aqui.

Apóstrofe é figura de linguagem e de Pensamento. Para encontrá-la no texto, basta observar o chamado.

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